Cérebro Mastigado

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Jobim de 80

Em qualquer reunião, jovens ou velhos, cedo ou tarde, na praia ou na montanha, quer acertar o tom?? Põe para tocar Tom Jobim!
Hoje ele faria 80 anos! A Bossa Nova, certamente teria, 'de quebra', evoluído mais uns outros 80.
Da mesma forma que os orientais desenvolvem seus instrumentos musicais, um dó diferente, um Sol mais acentuado, tornando um intrumento sempre com afinação diversa do outro, Jobim tocava Bossa.
Uma música sempre representava um Tom diferente. Um Tom absolutamente carioca-verde-e-rosa; um Tom clássico; um Tom que incitava à arte de sambar; um Tom "Desafinado"; um Tom que sabia amar e dizer que amava, como o fez no filme do Arnaldo Jabor "Eu te amo", quando compôs com o grande Chico a música "Homônima".
Não importava o tom, Tom sempre acertava e fazia arrepiar. E faz até hoje, devido à força de sua música.
Lamentavelmente, há 14 anos privou-nos de sua presença física. Morreu do coração. Por que será que os grandes homens desencarnam sempre em função do coração?? Vai ver era muito amor pra carregar no peito. Ou muita sabedoria.
É Tom Jobim, acertando o tom em qualquer momento. Põe pra tocar aí!

segunda-feira, outubro 16, 2006

Sex-orcismo

Quando um espírito obsessor toma conta, toma posse, de um corpo qualquer, permite-se o exorcismo.
Quando este espírito te exige prazer, mas por algum motivo este clamor não pode ser atendido no momento, necessário mesmo é se fazer uma Sex-orcisação.
Descobri que a endorfina tem sua liberação a partir das 9 horas da manhã, sendo este um excelente horário para ginástica ou exercícios físicos que o estimulam e conseqüentemente armazenam energia, força e bem-estar para o dia inteiro. OU seja, a partir deste horário, o suplício começa. É quando começo a me perguntar o porquê de estar aonde estou, na maioria das vezes controlando impulsos, quando na verdade queria estar liberando hormônios.
Pois bem... enquanto luto, contorcendo-me para afastar pensamentos (até) próprios, mas em não tão convenientes locais- eis que chega as 10 horas da manhã. Horário em que o chamado “hormônio do prazer” começa a agir, aumentando e liberando a libido para o prazer e a disposição física e mental, em conjunto com a endorfina. Uma Potência!!!! E eu achando que o martírio estava por acabar...
A única dificuldade em Sex-orcisar alguém é precisar, inquestionavelmente, da ajuda do Sex-orcista ideal... o que em hipótese alguma poderia ser um padre!!
Ó Céus!! POr onde anda o Super-Homem? Acho que o The Flash já resolveria!
Durmo então para tentar superar a frustração, conseguindo esquecer que no outro dia, o relógio corriqueiramente marcará às 9 horas novamente.

SEX-ORCISE-MEEEEEE!!!

domingo, outubro 08, 2006

FLUTUAÇÃO


Rio Sucuri - Bonito/MRS
Já ouviu falar em Flutuação aquática?
Imaginem a sensação de uma Sucuri de 7m de comprimento passar por debaixo de vc durante uma flutuação dessas. E de vários cardumes de peixes por você passarem rente ao corpo.
Inexplicável.
A roupa de neoprene é para enfrentar as 2horas- o tempo que a correnteza leva para te carregar do início do rio ao final- nas gélidas águas transparentes do Rio Sucuri.
É terminantemente proibido encostar no fundo do rio, daí a necessidade de flutuar, para não levantar calcário, que turva a espetacular visão do fundo do rio, tampouco destruir a vegetação ali existente.
Bonito deveria se chamar Magnífico!!

terça-feira, setembro 19, 2006

De dentro de um caminhão


Janela aberta. Ventos em combate com os ouvidos. Quadros a se moldarem e desmoldurarem em fração de segundos.
Visão extrapolada.
Não só pelos retrovisores, revelando o meio-fio rente ao veículo, tampouco o deslumbre em forma de paisagem e o carregamento a ser transportado por longos itinerários.
Mas pela reflexão travada entre tantos paradoxos a se insurgirem meio ao caminho.
O caminhoneiro era Cleyton, carregando por oito anos soja do Tocantins ao Maranhão. Meio ao caminho, cruzamos nossas rotas. A aproximadamente 200km de Balsas, seu destino final, amigavelmente, segui com ele de carona, de Estreito-Ma, até a cidade de Carolina-Ma.
Cerca de 100km de estrada e de papo; e de forró na rádio!
Cleyton trabalha no mundo externo, desbravando sempre novos horizontes- ali corroborei que o caminho pode ser o mesmo, mas um pôr-do-sol nunca é igual ao outro. Por outro lado, passa a semana inteira sem ver e até mesmo saber notícias da família; Depois de dada a partida, é ele quem faz seu próprio horário, calculando apenas a hora de chegada, não se submentendo a ordens superiores para fazer um lanche ou dar um descanso qualquer. Contudo, se passar demais do horário, pode ser que tenha que passar a noite toda mudando a marcha para a sexta, a 20km/h, a cada subida pela frente.
É aí que tudo vai se tornando tudo muito igual, rotineiro, cuja graça vai se esvairindo junto com as motivações. Talvez até com razão, Cleyton já não vê graça alguma em ver um pôr-do-sol: "De que adianta?", perguntou-me. Realmente para ele, não faz diferença alguma deixar de contemplar a paisagem hoje, porque amanhã certamente poderá fazê-lo.
Retruquei com lamúrias: "quisera eu poder fazer tudo o que faço de dentro de um cubículo de 4 paredes, da frente de uma tela plana de computador, dos toques insistentes dos telefones e dos diversos pedidos estarrecedores de ajuda, vendo, ao mesmo tempo, simplesmente, a cor do céu mudar. A primeira coisa que mudaria seria o humor. "
Mas certamente, um dia passaria a não mais me importar, assim como ele.
É quase que sempre preciso que o Sol nos cegue momentaneamente para entendermos o quanto é bom enxergar.
Quando Cleyton precisa mudar seu caminho, ou lhe é designada nova rota, desconhecida, conta com a ajuda de "chapas". Os Chapas estão sempre a observar os caminhoneiros, ajudando-os em seus trajetos e carregando e descarregando suas mercadorias.
Naquele dia, eu fui a "chapa" do Cleyton. Ajudei-o a descarregar seu tédio ao perfazer o suplício de sua labuta.
Mas o que eu queria mesmo, é ter tido a capacidade do Sol.
Qual seja o infinito desejo, de muitas das vezes estar em seu lugar, passando a sexta marcha a 20 km/h, a cada subida pela frente.
*Lembranças à minha cara amiga Sassa que esteve diante da mesma visão (a qual basta simplesmente a do retrovisor).

segunda-feira, agosto 21, 2006

"Paranpara"

Todo mundo já acordou um dia e pensou:
- "Chega, agora vou falar o que eu preciso, o que eu penso!"

Desabafar não é bem isso; isso é o que chamamos normalmente de “chutar o balde”. Desabafar faz bem porque tem um outro propósito. O de unir, repensar, mudar hábitos e até fazer concessões, porque desabafar é falar francamente, sem ludíbrios consigo mesmo ou, ilusoriamente com os outros.

O desabafo é um grande aliado cicatrizante de feridas, amenizador de grandes perdas, e um grande criador de laços entre as pessoas.
Se todo mundo desabafasse- não guardasse consigo os sentimentos bons ou ruins- nenhum obstáculo se tornaria um trauma e nenhuma péssima escolha se tornaria um complexo. Fale que ama, fale que odeia, fale que se sente incomodado, tolhido, querido.

Mas cuidado! Mais importante que desabafar é saber para quem desabafar. Não se pode “chutar o balde” externalizando todo e qualquer sentimento sob pena de ignorantes percepções e mal compreensão. O desabafo é sim um conhecimento, o conhecimento mais íntimo e penoso de alguém.
Se uma pessoa que mal completou o ensino fundamental lê Durkhein, terá uma análise bastante diferente da sociedade que detinha anteriormente, mas sem dúvida alguma, ainda será bastante ínfima e incompleta em relação a um outro que tenha se dedicado à filosofia e sociologia stricto sensu. Percebam, a diferença com que estas pessoas lidarão com os novos conhecimentos será muito aquém uma da outra. E assim deve ser nosso desabafo, o que para surtir o propósito ideal, deve ser ouvido por quem detenha martelo tão somente nos ouvidos, e não nas mãos, a exemplo de milhares de tirano-julgadores que batem o martelo sobre a mesa, impondo seus conceitos.
Paranpara é uma tradição hindu de transmitir oralmente os ensinamentos. Os gurus são alguns destes contadores de histórias que tentamos ouvir e aprender.
Há pouco mais de 100 anos, Freud também desenvolveu uma espécie de Paranpara inaugurando a psicanálise e definitivamente oficializou o valor terapêutico de contar a própria história. Desabafar é a garantia da liberdade de expressão e a escuta por alguém de confiança.
Ao se contar a própria história, ouve-se o eco das emoções, e o que está no interior se expande. O que é realmente importante ganha forma e faz sentido. Quanto mais se repete o mesmo desabafo, mais se vê as coisas por ângulos diferentes. Conectam-se os fatos com as emoções e aumenta-se com isso a possibilidade de aceitar que a vida é um fluxo constante, que as coisas mudam a todo momento. São relatos provenientes de desabafos que nos remetem ao que é essencialmente humano: amar, nascer, morrer, querer, ganhar, perder.

Neste mundo louco e moderno já detemos formas virtuais e digitais de Paranpara. O ORKUT, site de relacionamento super badalado, é uma maneira de fazer uma descoberta sobre você mesmo quando tem que explicar ali quem é você e como gostaria de ser visto. Os Blogs –como este- são outro tipo ainda mais parecidos com os antigos diários e álbuns testemunhais que contam nossa trajetória, mesmo que indiretamente. Desabafar nada mais é que contar nossa história com respeito e vontade de mudar.
Portanto, pare de chutar o balde e desabafe devagar e com amor...

! Paranapara para você!

quarta-feira, agosto 16, 2006

O quantum de querer

foto: Bar da pedra; Algodoal-Pa
.
.
Querer pouco talvez baste;
Querer muito talvez se torne inalcançável;
Como não existe uma balança medidora de quanto uma pessoa deve querer algo para poder obtê-la, resta-nos estabelecer limites.
Você mataria para ficar com a pessoa desejada? Você roubaria para aumentar seu patrimônio? Você casaria com uma estranha para adquirir uma nacionalidade estrangeira? Você sairia em busca do puro prazer, arriscando sua estabilidade familiar?
No ringue estão, de um lado os valores éticos e morais (razão); do outro, o elemento mais subjetivo da emoção, o querer, o ter vontado de algo.
Na briga, a única regra a seguir é quanto ao limite. E existe limite para a vontade?
Existe. O tudo é o limite. A exemplo de Schopenhauer, vontade é "um tudo", onde as coisas são múltiplas quanto à representação cognoscitiva, mas são idênticas na sua essência. Para quem não entendeu nada, o motivo do querer pode ser vários, e varia de acordo com o nosso conhecimento (inclusive o auto-conhecimento), mas a finalidade do querer, esta é específica. Queremos algo, para alguma coisa, certo? Ou para várias coisas. Para tudo, talvez. Mas nunca queremos algo para nada.
Assim, o indivíduo é o sujeito do conhecimento e encontra na vontade a sua própria existência fenomenal, descobrindo a força interior que produz o seu ser, as suas ações e o seu movimento.
Quando se realmente quer alguma coisa, nada obsta até que se consiga.
Ou seja, nada se limita, se Tudo for o limite.
.
E Você, já sabe o que você quer?

quarta-feira, julho 19, 2006

Descole, sapateiro!

Era moreno, aproximadamente 30 anos na cara, morador de rua, andava com um tijolo embaixo do braço esquerdo, onde guardava seus pertences (ilícitos?), cheirava cola, muita cola.
O destino, ironicamente, quando andava lamentando certos percalços, o pôs diante de mim e por um milímetro escapado, não o atropelei esta tarde. Desleixos de minha parte de lado, o cheira-cola praticamente não andava, arrastava-se pelo meio fio, cambaleando para lá, para cá e para lá denovo!
O fato é que quem quase caira por si próprio, caiu por um empurrãozinho meu. E lá estava o coitado jogado no chão, completamente embriagado. E eu, do outro lado, estática, porém, indignada. Acelerei e indignei-me por ser revel juntamente com toda a sociedade da qual faço parte ao passar durante toda a vida, por diversos locais do país inteiro, e ver cenas de meninos a adultos cheirando cola indiscriminadamente.
Existe uma Lei, que discrimina as substâncias entorpecentes (que causam dependência física ou psíquica) – Lei 6.368. O art. 36 desta lei diz que uma portaria do Ministério da Saúde irá elencar as substâncias entorpecentes. A venda de substâncias que não estejam elencadas nesta portaria, será enquadrada no art. 81, III do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente. É o caso do tinner, da cola de sapateiro, do xarope, etc. Em outras palavras, cola de sapateiro não é droga, pelo simples fato de o legislativo ignorar por completo as diversas pesquisas que apontam a cola como substância que causa dependência tal como a cocaína; as que qualificam como alucenógena e mais, pesquisas apontam ser a cola de sapateiro, a substância mais consumida, perdendo apenas para o álcool e para o tabaco, o que já ensejou inúmeros Projetos de Lei, que não passam de embolo de papel até a presente data.
Sendo assim, o menor (ou maior) que é pego, com a cola de sapateiro, não está praticando nenhuma infração – a conduta dele é atípica (só seria típica se ele tivesse utilizando alguma das substâncias do art. 16 da Lei 6.368 – de entorpecentes).
Pergunto-me quem ganha com essa revelia. Porque eu até hoje só perdi. Perdi sossego, paz, e hoje quase perco o carro! O cheira-cola, então, esse nem se fala. É quem mais perde nesta história toda, porque neurônios não se recuperam!
Ganhariam então as indústrias? Ou o próprio governo recebendo senão propinas descaradas (a exemplo do Mensalão), propinas justificadas, que é o que eu chamo de impostos?
O que falta para obrigarem a substituição dessa substância por outra (à base de água) que não seja tóxica e entorpecente, se outras muito menos consumidas já foram restringidas, a exemplo da anfetamima? Quem, na verdade, pode ser punido, é quem vende ao menor (exclusivamente) tais substâncias, vide art. 243 do ECA:
"Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida.
Pena: detenção de 06 (seis meses a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constituir crime mais grave."
Mas não se preocupe, vendedor! Sendo crime de pequeno potencial ofensivo, isto pode no máximo lhe custar umas cestinhas básicas!
Quanta Lei exdrúxula!
Existe algum 'Alô, alô, Vereador! ', de preferência 0800??